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Criatividade e saúde emocional: estar bem é a única forma de criar melhor

Criativa é aquela pessoa que consegue extrair o melhor do contexto em que está inserida. É aquele indivíduo que tem boas ideias para resolver problemas que pareciam impossíveis. É também aquele que sabe o valor de cada momento e faz questão de aproveitar qualquer experiência como se essa fosse a melhor coisa que poderia ter acontecido. E quem vai dizer que ser surpreendido por um banho de chuva no ponto de ônibus na volta do trabalho não é tão mágico assim? 

Uma pessoa criativa faz deliciosas caipirinhas com os limões azedos que caíram no seu colo. 

Mas, e quando a pessoa criativa não sente a menor vontade de criar? A saúde emocional é um pilar importante para a criatividade, mas ficamos tão preocupados em aprender técnicas de geração de ideias, que nos esquecemos da importância de estar bem. É aquela velha mania de buscar fórmulas prontas ou atalhos que te fazem viver na superficialidade. O lance é que criatividade é como mergulho em alto mar. A parte mais rasa é linda e você até pode se divertir ali, mas só quando vai mais fundo é que consegue descobrir coisas incríveis. 

Para mim, Julho foi como o cruzamento de uma montanha russa do Hopi Hari com o samba, aquele brinquedo giratório que você já deve ter visto no parque de diversões do seu bairro. Eu tinha me programado para intensificar as aulas ao vivo no Instagram, produzir dois artigos por semana e me comprometi a aprofundar a escrita de dois livros. Até metade do mês, eu estava dando conta do recado. Meu planejamento estava apertado, mas tinha energia de sobra para fazer meus rolês acontecerem. Até que o movimento maluco começou e minha saúde mental ficou mais instável do que previ. 

Entre altos, baixos e giros rápidos, não consegui me concentrar em mais nada. Fui tomada pelo bloqueio criativo e de repente a programação que estava seguindo não fazia mais sentido, estava pesada e me sobrecarregando. Fiquei um tempo quebrando a cabeça tentando entender onde estava minha criatividade e como tudo mudou “do nada”.

Como em um passe de mágica, não conseguia escrever nem mais uma linha. O que estava rolando comigo? Foi então que cheguei a conclusão, que considero a mais importante feita em todos esses anos estudando sobre a vida criativa: a criatividade não se sustenta sem saúde emocional.

Quando falta equilíbrio emocional, fica difícil sustentar a produção criativa 

A relação entre criatividade e saúde mental é foco de debate há muito tempo. Inclusive, o conceito da segunda é um tanto quanto complexo e jamais poderia ser resumido em um artigo, mas quero compartilhar a definição que encontrei.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde mental caracteriza-se como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não se restringindo somente à ausência de doença.

Nesse sentido, estar bem não é apenas não ter patologias, mas sim, ter uma postura preocupada com a qualidade das vivências individuais, sociais, emocionais, dentre outras, que colaboram com a proteção no desenvolvimento dos potenciais humanos.

Pensando um pouco além dos conceitos científicos, o que é estar bem? 

É funcionar no seu melhor estado. Sentir que suas forças, virtudes e seu potencial estão em alta. Sabe aquela sensação de estar feliz fazendo determinada atividade? É isso! Quando está com a mente saudável, as coisas são mais leves, você se conhece melhor e tem uma postura mais positiva diante da vida. 

Estar bem é saber que mesmo que alguma coisa tenha dado errado, isso não é apenas culpa sua. É também entender quando você está cansado, quando precisa exercitar um pouco mais o seu corpo ou qual é o momento de exigir – ou de dar uma pausa – de si mesmo. Quando você está bem, você sabe quem você é e do que é capaz.

Isso, de certa forma, é ser criativo. 

Por isso que eu digo que só é possível ter criatividade quando você está com a saúde mental em dia, ou seja, quando está bem. 

Enquanto caminha para a finalização deste artigo, sinto alguém lá dentro da minha cabeça perguntar por que escolhi este assunto para a semana. Já sei, é o meu sensor querendo me convencer de que o tema não é tão importante para o desenvolvimento criativo. Bom, esse é um sinal de que precisamos falar sobre isso. Se quero que as pessoas se sintam um pouco mais inspiradas a cada contato com meus conteúdos, preciso entender que não posso falar apenas do que os outros consideram importante.

Está mais do que na hora de falar sobre aquilo que as pessoas ignoram, porque enquanto fugir do que realmente colabora para o aquecimento da sua criatividade, você será só mais uma pessoa bloqueada, sonhando em encontrar a chave da caixa mágica.

Por sorte, você me encontrou e posso te dizer: a caixa mágica está dentro de você. É o que eu chamo de Grande Bolsa, em inglês, Big Bag. Quanto mais você cuidar dela e guardar ali objetivos que te fazem bem, mais criativo você vai ser.

Queira ser uma pessoa emocionalmente saudável, isso também é ser criativo.

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