Como lidar com o medo do projeto online ser muito amador e receber críticas

Um projeto online nunca é só um trabalho ou uma atividade paralela. É um depósito de medos, sonhos, expectativas e inseguranças. Desde que criei o Canal Big Bag, me sinto em uma montanha russa de emoções. Mas, cá entre nós, como não se sentir assim? Se o que desafia a minha criatividade e me enche de esperanças é também o que me traz questionamentos diários. 

Como você deve ter pensado aí do outro lado da tela, não tem como fugir mesmo. O caminho é aprender a lidar com o medo que nos envolve ao longo do trabalho criativo e seguir fazendo o que gostamos de fazer: criando. 

Quando estou falando sobre projetos criativos online, falo dentro do meu contexto de atuação e área de estudos. Penso em blogs, perfis nas redes sociais, livros digitais…muitas coisas cabem nesse pacote e todas elas oferecem algo interessante: a flexibilidade. Vejo muitos criativos sofrendo com bloqueios e medos, porque esquecem da liberdade que é criar na internet. Não lembram de como temos acesso a tantos recursos e possibilidades por aqui. 

É claro que um projeto online envolve riscos.

Pode ser que ele não dê certo, que ninguém veja sua publicação, que o algoritmo ferre sua performance ou que um seguidor compartilhe uma opinião negativa. Sim, essas coisas podem mesmo acontecer. Mas sabe o que também pode rolar? Diversão, crescimento, desenvolvimento e até propostas de trabalhos. 

Engraçado perceber que a segunda lista tem mais chance de se tornar real, mas a primeira tem mais espaço na nossa cabeça, não é? Exatamente por darmos mais atenção ao que pode acontecer de ruim, é que o medo tem um espaço tão grande na vida criativa. Portanto, tenho um convite para você, tente ser mais corajoso e exercite a sua coragem. TENTE, treine, treine e treine a capacidade de arriscar.

Você reconhece o seu medo?

Tem gente que tem medo de passar vergonha em público. Tem gente que tem medo de não ser recompensada pelo trabalho. Tem gente que tem medo de perder tempo em uma atividade dispensável. E tem gente que tem medo de ser horrível no que escolheu fazer. E, você, tem medo do que?

Não estou aqui para julgar seu medo, até porque acredito que não existe medo pior ou melhor, são apenas receios que estão ali e precisam ser trabalhados. Identificar serve para saber como se liberar. Se você não sabe o que te impede de fazer, como vai usar sua coragem para driblar o bloqueio e criar um caminho?

Já vi uma galera dizendo que tem medo de tentar, mas que não mergulhou a fundo para entender qual é o fator assustador. Pode ser o seu caso, então, vamos lá…

Qual é a pior coisa que pode acontecer se você tentar? 

E qual é a melhor? 

O medo mais comum no contexto dos criativos que se dedicam a um projeto na internet é o de fracassar. Aí, eu te pergunto, já não estamos nos ferrando quando não tentamos? É batido falar isso, mas se não nos damos a oportunidade de fazer algo pelos nossos objetivos, estamos fazendo alguma coisa pelo dos outros. Além disso, como fica sua criatividade? Ela precisa do envolvimento genuíno para florescer, e isso é muito maior quando você trabalha em algo que faz sentido para você. 

Gostaria que existissem fórmulas mágicas para lidar com o medo do projeto criativo ser criticado, mas é impossível. Somos seres humanos diferentes, com características e reações particulares, mas uma coisa todos podemos fazer: absorver a ideia de que algo ruim pode acontecer em qualquer fase da vida. Não, não estou louca. É que quando você sabe que pode cair algumas vezes, percebe também que pode se levantar em todas elas. 

Não somos criativos tão frágeis quanto imaginamos.

Aliás, a criatividade nos torna flexíveis. Quanto mais criativo você é, maiores são as chances de recomeçar do zero quantas vezes for preciso – e ainda usar isso a seu favor. 

Nos agarramos a ideia de que será muito difícil se o projeto der errado só para não ter que trabalhar por ele. Pensar diferente é desconfortável. Dá trabalho. Eu também tive (e tenho) muitos receios quanto ao meu projeto. São essas coisas que me permitiram começar e ajudam a continuar criando um pouco todos os dias: 

  1. Começar do jeito que dava: se eu ficasse esperando ser ótima no que quero fazer, não ia começar nunca. Aceitar isso e usar os recursos disponíveis no momento me permitiram dar o primeiro passo. Foi o famoso “é o que tem pra hoje” – o que você pode fazer com o que tem hoje?
  1. Trabalhar todos os dias na minha cabeça que o que importa é o processo e o que vier é um acréscimo: todo mundo espera ganhar dinheiro e ser reconhecido. É óbvio que eu quero isso. Só que, quando comecei o meu projeto, também queria treinar minha escrita e minha capacidade de ministrar aulas de criatividade, era pelo prazer de crescer e eu não posso deixar isso pelo caminho. Sempre que a frustração por não ser “valorizada” vem me visitar, retomo as lembranças de que comecei tudo isso por mim e para mim e tudo fica mais leve. 
  1. Buscar me desenvolver nas coisas que acredito não ser tão boa: se eu espero que meu projeto criativo se transforme em uma empresa, preciso ser capaz de lidar com coisas além das técnicas de escrita. Em vez de ficar triste e lamentar a falta de conhecimento em alguns aspectos, me organizo para aprender e vou atrás de informação. Será que você consegue fazer isso para suprir algo que está faltando e te impedindo de trabalhar na sua ideia? Será que isso é tão mais difícil do que abrir mão dos seus sonhos? 
  1. Seguir trabalhando um pouco todos os dias: frequência, compromisso e prática – minha tríade do projeto criativo. Ainda não sou a rainha da disciplina, mas estou fazendo o meu melhor para me dedicar ao projeto pelo menos 20 minutos por dia, de segunda a sexta. Se você quer muito que a ideia seja boa e receba menos críticas, precisa fazer algo para torná-la melhor. Sugiro que você trabalhe nele incansavelmente, porque uma hora o retorno vem. 
  1. Ter hobbies: nem só de técnicas e projetos paralelos vive o criativo. Buscar atividades de lazer e tirar um tempo para relaxar a minha cabeça, longe das tarefas de criação, me ajuda a recuperar a motivação diária. Meu projeto paralelo é o meu sonho, mas não faço dele a minha vida. Se eu sei que existem coisas além dele, me sinto mais protegida caso algo dê errado. 

O medo é foda, mas não pode ser dominante. Se a gente não se dispõe a encarar o medo, o que sobra é uma vida baseada em retraimentos. A longo prazo, isso pode boicotar profundamente as nossas reais possibilidades e nos impedir de viver a vida criativa que sempre esteve em nossos planos. 

E, você, já deu o primeiro passo na direção do seu projeto ou ainda deixa o medo te dominar? Me conta nos comentários!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *