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Como reaprender a viver para começar a criar

Se você clicou para ler este artigo é sinal de que é tão curioso pela criatividade quanto eu. Segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial, a habilidade ocupa a quinta posição na lista das que estarão em alta até 2025. Isso significa que você está certo em querer saber mais sobre a capacidade de imaginar e criar: ela é e será cada vez mais importante.

Eu não tenho dúvidas de que se você quer conquistar seu espaço no mercado profissional, precisará ter criatividade. Sendo bem sincera com você, durante e depois dessa pandemia, tenho certeza de que a capacidade de imaginar dará um salto direto para o primeiro lugar. Isso porque não existe superação sem uma experiência criativa. 

Aliás, meu lema é o seguinte: se tudo está dando errado, só uma boa ideia poderá nos salvar!

Apesar da criatividade ser tão importante, muita gente não consegue ter essa habilidade aflorada e sofre com bloqueios criativos e a falta de perspectiva – coisas diretamente ligadas à forma como se vive. Vejo uma galera se preocupando em adquirir técnicas e entender conceitos, mas se esquecendo de que nós criamos de acordo com que vivemos. 

Deixa eu contar uma história aqui para você…

Havia um belo jardim com maçãs, laranjas, peras e rosas maravilhosas. Tudo era alegria por lá, com exceção de uma árvore que estava profundamente triste. Ela tinha um problema: não sabia quem era, nem o que tinha de fazer.

A macieira falou que era muito fácil fazer saborosas maçãs, que a árvore deveria tentar. E foi o que ela fez.  

“Não a escute”, lhe disse a roseira. “É melhor ter rosas. Não vê como elas são lindas?”

A árvore, desesperada, tentava fazer tudo o que as amigas sugeriam, porém não conseguia ser como elas. Estava cada vez mais frustrada.

Um dia chegou ao jardim uma coruja, muito sábia, que ao ver o desespero da árvore, exclamou:

-Não se preocupe, seu problema não é grave, muitos seres sobre a Terra passam por coisas parecidas. Vou lhe mostrar uma nova possibilidade:

“Não dedique sua vida para ser como os outros querem que você seja… Busque ser você mesmo, conhecendo e ouvindo a sua voz interior, porque essa voz que vem dentro de você é que vai te falar qual é a sua vocação, a sua missão nesta vida.” 

A coruja falou isso e foi embora. Ainda confusa, a árvore ficou se questionando.

– Minha voz interior…? Ser eu mesmo?… Me conhecer?… Vocação?… Missão?…

De repente, ela percebeu o que deveria fazer. Fechou os olhos, os ouvidos, abriu seu coração e escutou algo lá dentro dizendo:

“Você jamais dará maçãs, porque não é uma macieira, nem irá florescer a cada primavera, porque não é uma roseira. Você é um carvalho, seu destino é crescer grande e majestoso. E por conta dessa capacidade de crescimento, você deve proporcionar abrigo para os pássaros, sombra para os viajantes, beleza para a paisagem…Essa é a sua vocação. É para isso que você nasceu. 

O que você precisa fazer é descobrir como se manifestar e cumprir o que deseja fazer. 

Depois dessa reflexão, a árvore se sentiu forte, segura e se preparou para ser tudo aquilo para o qual foi designada. A partir daí, cresceu e passou a ser admirada e respeitada por todos. Só então o jardim ficou completamente feliz. 

O que estou querendo dizer com tudo isso é que você só será criativo de verdade quando aprender a se escutar, se entender e encontrar a sua forma de interagir com o mundo. Quando esquecer todas as regras, dicas ou conselhos que te deram ao longo da vida.

Você enxerga o mundo pela lente que colocaram nos seus olhos, mas o seu crescimento, assim como o da árvore, começa pela atitude de reaprender a olhar para sua existência.

Para ser mais criativo é preciso reaprender a viver a vida.

 Esquecer o que aprendemos até agora é o primeiro passo para aprender a fazer o que queremos a partir de agora. 

Uma vida sem criatividade pode ter impactos muito maiores do que só a falta de ideias ou falta de oportunidades profissionais. 

A falta da criatividade gera a ausência de perspectivas na vida pessoal, dificuldade para pensar além do óbvio, insatisfação profissional, sensação de vazio e não pertencimento, além de tornar os dias mais chatos, cheeeeeio de novidades disfarçadas de problemas. 

Olhar para o mundo de forma mais criativa é uma necessidade de todos nós. O lance é que nascemos com a criatividade, mas vamos perdendo ao longo da vida. É por isso que quando perguntam “como vamos ser mais criativos?”, eu falo “vamos descobrir um novo jeito de viver”. 

O desafio é reaprender a pensar com a inocência de uma criança e aliar isso à capacidade de aplicação lógica de um adulto bem preparado. 

Qual é o caminho para essa redescoberta da vida? 

Investir no autoconhecimento: por mais clichê e batida que seja essa dica, ela é fundamental. Não existe falar de criatividade e de gerar impacto positivo no mundo sem pensar em se conhecer. É preciso ter um domínio do seu próprio funcionamento para entender quais gatilhos ativam ou bloqueiam o seu criativo interior. 

Se conhecer está diretamente ligado à criatividade, porque, assim como a jornada do autoconhecimento, o desenvolvimento criativo nunca acaba. É uma evolução constante. Seu trabalho como criativo é estar disposto a observar as mudanças internas, relacioná-las com as externas e transformar tudo isso em combustível para o trabalho e para as ideias. 

Identificar as crenças negativas que te acompanham: pode parecer louco, mas, às vezes, estamos bloqueados em alguma área da vida, porque nos sentimos mais seguros assim. 

O medo de liberar a criatividade costuma se relacionar com o medo do desconhecido. Por essa você não esperava, né? Tava achando que só não conseguia encontrar uma solução criativa para os problemas na empresa, porque não estava faltando inspiração? Pois é, o rolê é louco!

Muitas pessoas que sofrem com bloqueio criativo apresentam questionamentos do tipo: 

  1. Se eu for criativo de verdade, o que isso vai significar? 
  2. O que irá acontecer no meu trabalho ou nos meus relacionamentos se eu botar minhas ideias no mundo?
  3. O que poderia acontecer se eu decidisse arriscar?  

Você reconhece essas questões? Elas fazem parte da vida de todas as pessoas, em diferentes escalas e contextos, é claro. Essas inseguranças estão relacionadas a crenças negativas que nos acompanham ao longo da vida. 

Por exemplo:

  • Se eu falar muito sobre minhas ideias as pessoas vão me odiar.
  • Vou parecer maluca.
  • Vou ter que abandonar meus amigos e família.
  • Eu sou péssima falando e escrevendo.
  • Não tenho ideias suficientemente boas.
  • Vou passar vergonha, porque nem sei fazer nada direito.
  • Nunca vou ganhar dinheiro de verdade.
  • Já é tarde demais.

Percebe que são pontos variados? Cada pessoa tem uma visão negativa sobre o que pode acontecer, que impede as mudanças de pensamentos e ideias. É preciso prestar atenção nisso, pois as coisas que a gente acredita são as que bloqueiam ou abrem espaço para o fluxo das ideias. O esforço deve ser para substituir as crenças negativas por visões mais positivas. 

Esquecer os conselhos acumulados ao longo da vida: uma das nossas necessidades como seres humanos e criativos é o apoio. Infelizmente, nem sempre ele existe. No mundo ideal, seríamos encorajados a seguir nossos sonhos e objetivos, mas não é bem assim que acontece.

Por exemplo, os pais dificilmente respondem para o filho “tenta ver no que dá” quando ele diz que quer tentar ingressar na faculdade mais disputada ou que não quer fazer faculdade ou que quer empreender na área de tecnologia. 

Nem sempre é por mal, as pessoas tentam nos proteger com base no que elas foram ensinadas sobre o que é bom ou ruim, certo ou errado. O problema é que tudo o que escutamos tem um impacto na forma como vivemos. Muita gente acaba desistindo de uma coisa que tinha certeza que poderia dar certo, que acreditava de verdade, para ir por um caminho que um colega, um professor ou uma familiar sugeriu, e acaba ficando preso em um limbo de dúvidas e arrependimentos. 

Reaprender a viver tem muito a ver com se ligar às coisas que você acredita e você concorda e não só ao que te impuseram.

Aprender a olhar para o mundo de forma mais criativa é um processo desafiador, mas que vale a pena. Se você muda a maneira de se relacionar com as coisas ao redor, libera espaço para as ideias florescerem. Como consequência, você recupera a energia criativa e a confiança que te permite criar.

Não dá para querer colocar ideias no mundo sem pensar em melhorar sua presença aqui.

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