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O livro Como se encontrar na escrita e o que tem por trás do ato e criar

Há tempos eu não encontrava um livro tão lindo quanto o Como se encontrar na escrita: O caminho para despertar a Escrita afetuosa em você! <3

Vejo por aí uma galera falando que se entende como criativa desde sempre. Eu, sinceramente, não tenho lembranças de querer criar alguma coisa quando pequena, mas me lembro de sentir prazer pelas atividades artísticas. Adorava dançar e colorir desenhos! Minha relação com a criatividade sempre foi mais sobre expressão e sentimentos do que o desenvolvimento de atividades. Até que escolhi uma profissão que me obriga a criar e um projeto paralelo que me pede para escrever quase diariamente e percebi que todo o envolvimento sentimental tinha dado espaço para a preocupação com as técnicas. Nesse ponto, as coisas já não fluíam tão bem. 

Quanto mais as atividades se tornaram obrigatórias, mais difícil ficou criar. Alguns dias eu sofria com bloqueio criativo, em outros não conseguia dar andamento para as ideias, a sensação era de que estava fazendo mais do mesmo e nada era tão bom quanto na minha cabeça… Se você lida com atividades criativas, já deve ter sofrido com essa robotização do trabalho. É comum, mas não deve ser normal. 

Encontrei há alguns dias um livro que conectou minhas capacidades técnicas com o cérebro e o coração: Como se encontrar na escrita: O caminho para despertar a Escrita afetuosa em você, da Ana Holanda. Ele estava por $0,00 na biblioteca do Kindle e eu, que não sou boba nem nada, corri para baixar. Confesso que esperava um material com dicas de como elaborar um texto com mais qualidade, mas encontrei muito mais do que isso. 

O livro da Ana Holanda fala sobre a intenção que a gente tem quando decide criar alguma coisa – e como não damos atenção a essa motivação. As páginas são recheadas de exemplos, relatos pessoais e recomendações de como tornar a sua escrita mais sensível. Apesar de ter um conteúdo bem direcionado para a produção textual, os ensinamentos valem para qualquer tipo de criação. 

“A escrita, seja de que natureza for, nasce primeiro dentro da gente, percorre nossas caixas internas, nossos medos, desejos, anseios, e depois é que ganha mundo” 

E não é assim com qualquer trabalho criativo?

Essa foi a minha primeira marcação no livro. Como é comum a gente criar pensando em ganhar o mundo ao invés de expressar o que está dentro de nós, não é? Quanto mais desejamos fazer dinheiro, ser reconhecido, ter mais seguidores, menos criamos com o coração. Ter esses objetivos não é ruim, o problema é que desejamos nos encaixar e fazer o que está funcionando, daí em diante é só ladeira abaixo. Quanto mais fórmulas buscamos, menos sucesso a gente tem. Paradoxal.

Os trabalhos criativos são uma experiência de amor, de humanidade na sua essência. Quando nos esquecemos disso, sofremos com bloqueios criativos, faltas de ideias e o pior inimigo da criatividade: a falta de percepção do sentido. O escritor Albert Camus dizia que “Sem trabalho, toda a vida apodrece, mas quando o trabalho é desprovido de alma, a vida sufoca e morre.” Muitas das pessoas que desejam ser criativa e têm dificuldades para elaborar projetos esquecem o mais importante, que é fazer algo que faça sentido para elas. Olha, quantas vezes eu me esqueci. Vocês não têm ideia da quantidade de textos que escrevi mais preocupada em colocar os termos de SEO do que em falar o que eu queria dizer. 

Enquanto lia o Como se Encontrar na Escrita, ficou claro para mim que se queremos ter sucesso nos trabalhos criativos, precisamos nos lembrar o que tem por trás da vontade de criar. Até porque, mesmo quando trabalhamos em algo para fazer dinheiro, ainda sim houve a intenção de escolher a profissão criativa, existiu uma motivação e sempre existirá. 

Uma criação mais próxima permanece na memória por mais tempo

Fazer por fazer limita a nossa criatividade e prejudica o andamento da vida (pessoal e profissional). As “broncas inspiradoras” que a Ana Holanda nos dá mostra que o trabalho é o reflexo da maneira como vivemos. Seja qual for o objetivo principal, ele não deve ser maior do que a nossa existência. Aliás, como se envolver, colocar alma nas palavras, se a sua vida também está repleta de receitas prontas? Misturar sentimentos com trabalho é sempre um tabu, mas quanto mais tentamos separar as coisas, menos a criatividade se manifesta. 

Eu grifei muitas coisas ao longo da leitura, mas preciso compartilhar esses trechos que me fizeram refletir sobre a minha relação com meus trabalhos criativos 

“Todas as pessoas têm boas histórias para contar. Mas a gente cisma em acreditar que o incrível está sempre em algo inatingível.”

“As descobertas que podemos fazer a partir do momento em que olhamos para o nosso cotidiano com mais delicadeza e poesia são infinitas. Sempre digo aos meus alunos que, quando incorporarem isso, eles vão ligar a cafeteira para fazer o café e uma história vai nascer.” 

“Juntos, por meio das palavras, podemos mudar o mundo. Mas, primeiro, a gente se transforma, se descobre, se encanta com a própria capacidade de escrever”

Todo ato de criar nasce a partir de uma ideia e ideias nascem dentro das cabeças humanas. Somos seres que pensam, sentem e sonham, isso não pode ser excluído do nosso trabalho. Fugir disso é reduzir as chances de sucesso.

Antes de dar tchau, quero deixar uma reflexão: será que você está se sentindo bloqueado por que não está envolvido de alma e coração no trabalho criativo?

O que eu tenho pra te falar sobre o Como se encontrar na escrita: O caminho para despertar a Escrita afetuosa em você é: se você é escritor, a leitura é obrigatória. Se cria qualquer outro tipo de arte, a leitura é recomendada. Se pretende desenvolver um trabalho que tenha sucesso e propósito, a leitura é interessante. A Ana Holanda foi incrível em cada palavra escolhida para compor o material e eu agradeço a Tayná do passado por ter escolhido o título para uma leitura despretensiosa. 

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