Quem matou a criatividade? Investigação, insights e aprendizados sobre a vida criativa nas empresas

Todos os dias um crime grotesco acontece nas empresas que não se preocupam com o desenvolvimento criativo dos seus colaboradores: a criatividade é assassinada. Essa provocação é o que norteia as páginas do “Quem matou a Criatividade”, escrito pelo Andrew Grant junto da Gaia Grant. 

Lançado no ano de 2013, o livro tem um fascinante clima de mistério! Os fatos baseados em pesquisas e estudos se misturam a histórias divertidas para revelar os assassinos da criatividade. O ar de suspense que surge em cada assunto relacionado ao bloqueio criativo é o que torna a leitura mais interessante. É como se você estivesse lendo uma ficção enquanto aprende sobre criatividade. 

Neste artigo, trouxe 5 reflexões contidas no livro, que me chamaram atenção e que podem colaborar para potencializar sua criatividade. Sugiro que você anote em um papel e tente relacionar as frases com percepções que tem sobre sua vida criativa, pois esse exercício ajuda na assimilação das informações e engatilham mudanças que liberam seu potencial criativo.

“É duro ser criativo quando não existe razão para ser criativo – quer dizer, quando não vemos necessidade de buscar novas soluções ou encontrar novas respostas”

Eu não tenho dúvidas de que a motivação é o que te mantém criativo. Você está motivado quando tem claro quais são seus valores, objetivos e princípios, então, se deseja ser uma pessoa mais criativa, trate de descobrir quais são os seus. 

“É melhor ser criativamente desajeitado ao avançar do que não fazer nenhum movimento”

Enquanto você se preocupar em ser perfeito, estará perdendo tempo da sua vida. Primeiro, porque nada é perfeito, segundo, porque isso é mais sobre autossabotagem do que você pode imaginar. Quando falamos de projetos criativos, tudo começa pela ação. Tome coragem para dar o primeiro passo e siga ajustando os caminhos, sempre tirando forças da sua motivação. 

“É preciso ter a chama criativa ou pelo menos a boa vontade para aprender e praticar as técnicas criativas, mas normalmente também é preciso uma perseverança muito obstinada para alcançar o real sucesso criativo”

Nem só de técnicas viverá o criativo! Se você sabe fazer tudo, mas não sabe continuar fazendo todas as coisas, dificilmente chegará no objetivo final. Uma pessoa criativa, acima de tudo, é aquela que sabe a importância de insistir, mesmo quando as coisas ficam difíceis. 

“As ideias criativas reconstroem a realidade como a conhecemos”

Você consegue imaginar quantas transformações podem ser geradas por meio de uma “simples” ideia? São as possibilidades de imaginar e as atitudes que você toma a partir disso que modificam as coisas ao seu redor. Sua criatividade é a sua arma para lutar contra tudo o que não pode permanecer igual! 

“Nossos cérebros estabelecem redes neurais no início da vida e rapidamente nós passamos para padrões de pensamento com base em nossas experiências contínuas. É muito fácil cair num sulco”

Ser criativo é quebrar padrões. O segredo é manter o alerta sempre ligado para tudo o que parece familiar. Faça o possível para sair do automático, busque novas experiências (por mais simples que elas possam parecer) e arrisque diferentes maneiras de fazer a mesma coisa. Você sempre começa a escrever um texto pelo título? Experimente começar pelo último parágrafo! 

“A criatividade não é apenas uma maneira melhor de fazer as coisas; sem a criatividade, nós somos incapazes de fazer pleno uso das informações e experiências já disponíveis para nós”

Sou suspeita para falar, mas sou apaixonada nesta ferramenta poderosa que temos em nossas mãos, ou melhor, em nossa mente! Fico louca da vida quando vejo as pessoas falando que “criatividade nem é tão importante assim”, porque, na verdade, ela é a base de tudo. Descobertas científicas vieram de cientistas inquietos (criativos), mudanças políticas vieram de pessoas insatisfeitas (criativos), grandes produções do entretenimento nasceram de bons contadores de histórias (criativos)…no final, tudo surge a partir dela. Não é a toa que a criatividade lidera o ranking das habilidades mais desejadas pelo mercado, segundo o LinkedIn. 

Criatividade é permitir que a mente voe com as asas da imaginação.bMayara Benatti

Para complementar toda a teoria apresentada ao longo das páginas, o livro traz ferramentas práticas e estudos de caso que demonstram como qualquer pessoa pode reconfigurar o seu cérebro usando as sete estratégias do pensamento criativo. No quesito aplicação de conteúdo, o livro não decepciona!  

De acordo com os autores de Quem Matou a Criatividade?, as 7 estratégias para recuperar a criatividade são: 

Liberdade: Cultivar a curiosidade e levantar quantas questões puder sobre o mesmo assunto.

Coragem: É preciso aceitar a ambiguidade da vida criativa e dos problemas que surgem pelo caminho.

Independência: Deixar a imaginação ser livre. Isso ajudará a fazer bons brainstormings de ideias soltas, sem preconceitos ou julgamentos.

Abertura: A mentalidade aberta te permite acessar todas as partes do cérebro e considerar muitas outras perspectivas.

Paixão: Se apaixonar é reconstruir conceitos comuns e continuar insistindo até encontrar a melhor solução. 

Flexibilidade: Verifique se as soluções escolhidas têm uma base forte de valores e descubra maneiras de fazer a solução escolhida funcionar na prática.

Essas estratégias não se restringem ao ambiente empresarial, elas são o caminho para resgatar a criatividade na vida! 

Ao longo do desenvolvimento do livro, os autores trazem questões intrigantes como “será que os chefes opressores são psicopatas disfarçados?”, “o preconceito pode ser um suspeito do assassinato da criatividade?” e “onde a criatividade morreu?. Todas as etapas da investigação são repletas de figuras de linguagem que servem para mostrar como empresas, gestores e funcionários podem construir (ou reconstruir) uma cultura de inovação, com uma reviravolta que ajuda o leitor a restaurar o espírito da inovação em todos os níveis da sua vida.

Apesar de ser uma leitura um pouco cansativa (preciso dizer que as páginas começam interessantes, mas na metade ficam um pouco maçantes, porém não menos ricas em informações úteis), o “Quem Matou a Criatividade” é ótimo para quem deseja estudar os fatores que desencadeiam o bloqueio criativo, além de ser transformador para gestores que estão percebendo que a criatividade não tem ido ao escritório.  

Entre todas os ensinamentos, esse livro trouxe uma frase me marcou “a conversa mais importante que temos todos os dias é com a gente mesmo”. A chave virou aqui dentro e corri para pendurar um papel na parede. É ISSO! Criatividade é sobre ser uma pessoa melhor, para ser alguém que cria e pensa melhor. 

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