Ser criativo: como fazer isso sendo um adulto sério demais?

Brincar rima com criar. Isso já resume tudo!

Quando o assunto é ser criativo, não adianta você querer ser o profissional, o artista, o intelectual, o poderoso chefão, e se esquecer dos momentos de lazer, porque vai acabar se tornando uma pessoa engessada. Muita técnica e pouco repertório. Sabe como é?

Criatividade é sobre um desejo ou uma vontade de brincar 

Muitos estudiosos concordam que para ser criativo, o indivíduo precisa se permitir ter momentos de descontração. Einstein (isso, aquele que sempre está com cara de doido nas fotos) já dizia que a criatividade é a inteligência se divertindo. Não é à toa também que grandes empresas como Google, Twitter e LinkedIn mantêm um ambiente que estimula a diversão – mas isso não é unanimidade.

Há muitas pessoas que, quando pensam em criatividade, querem que a ideia chegue de terno e gravata. Quando falamos sobre os bloqueios criativos, é comum buscarmos técnicas ao invés de questionar os julgamentos da sociedade, as repreensões da família, os conselhos dos amigos, os métodos de ensino ou a autoexigência. Apesar de tantos fatores justificarem que você, como profissional, artista e pessoa, precisa ter momentos para brincar se quiser ser criativo, isso não costuma fazer parte da realidade.

Fala a verdade, com os compromissos profissionais, tantas matérias para estudar na pós-graduação, os prazos apertados… com todas essas coisas que fazem parte da vida de um adulto responsável e sério, fica impossível tirar um tempo para a diversão, não é? Para completar, esses adultos responsáveis dizem que brincar é coisa de quem não tem mais o que fazer, que não se coloca no seu lugar de gente crescida ou que não teve infância. “Eu já brinquei muito nessa vida, agora é hora de pegar no batente e dar um rumo na carreira”, eles dizem. 

Ei, você que quer ser criativo, qual foi a última vez que você brincou? 

No curso Reaprendizagem Criativa, o Murilo Gun fala sobre o Bloqueio do Adulto. Eu nunca tinha pensado no bloqueio criativo sob essa perspectiva. Em uma das suas falas, ele cita que brincar é imaginar, e imaginar é criar. Ligando as palavras do mestre da criatividade aos conceitos da psicomotricidade e da ludicidade, uma luz acendeu na minha cabeça: criatividade e descontração andam juntas.

A Sociedade Brasileira de psicomotricidade conceitua psicomotricidade como “uma ciência que estuda o homem através de seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo e de suas potencialidades de perceber, atuar e agir com o outro, com objetos e consigo mesmo”. Ela tem a finalidade desenvolver e construir de forma organizada o esquema corporal, além de estimular a rotina do movimento em todas as fases da vida, principalmente no desenvolvimento infantil.

De acordo com os conceitos da psicomotricidade, através de exercícios de movimentos físicos, brincadeiras e entretenimentos que estão associados aos conhecimentos prévios do indivíduo, é possível melhorar e atingir objetivos na aprendizagem escolar, no comportamento afetivo, social e motor. Não há dúvidas de que ela é im-por-tan-tís-si-ma para criar inteligência. Por isso, muitos docentes indicam que os jogos e a ludicidade devem ter prioridade nas práticas pedagógicas na educação infantil. E o conceito de gameficação chega com a mesma ideia para a educação dos jovens e adultos.

O lúdico tem um papel importante na formação do ser humano, inclusive na sua criatividade.

Atividade lúdica é todo e qualquer movimento que tem como objetivo produzir conhecimento enquanto diverte o praticante. Dentro de uma sala de aula, quando o professor propõe atividades desse tipo, o aluno é estimulado a desenvolver sua criatividade e não a produtividade.

Por meio da brincadeira o aluno desperta o desejo do saber, a vontade de participar e a alegria da conquista. Quando a criança percebe que existe uma sistematização na proposta de uma atividade dinâmica e lúdica, a brincadeira passa a ser interessante e a concentração do aluno fica maior, assimilando os conteúdos com mais facilidades e naturalidade.

(KISHIMOTO, 1994).

Brincar é uma atividade importante para a criança aprender. Finalmente, chegamos ao ponto para qual quero chamar sua atenção: sobre a criança que vive dentro de você, será que ela não sente saudades de brincar? Você já imaginou que, se ela brincar com mais frequência, aparecerá mais e fará de você um ser mais criativo? 

Brincar depois de adulto significa alimentar sua criança interior. E a sua criança interior é quem permite que a criatividade mantenha-se acesa!

Um criança não sente vergonha de fazer o que quer fazer. Ela também não tem medo de parecer ridícula aos olhos de outras crianças e não está nem aí para o fato de fazer algo que vai contra os princípios das pessoas mais próximas. A criança não se preocupa se está pagando mico, incomodando ou se o que ela está dizendo não faz sentido. Ela só pensa. Ela só é. E quando a nossa criança interior recebe a atenção que merece, nos tornamos adultos assim: livres. 

Combinando alguns conceitos de criatividade, ludicidade e de psicomotricidade fica claro que é impossível ser criativo sendo completamente adulto. Ser gente grande virou sinônimo de ser sério, mas não precisa ser assim. 

Se você chegou até aqui, é bem provável que esteja se perguntando “Como assim brincar?” ou até já concluiu “Que brincar o que, eu não consigo nem imaginar como posso fazer isso!”.

Calma, calma. Um dos princípios da criatividade é explorar as possibilidades, lembra? 

Leve seu artista para passear e escute o que ele está falando. O cara criativo que vive dentro de você é a criança que está esperando para se divertir. Volte a fazer tudo o que você gosta e que já não faz mais porque está “velho demais para isso”. Ter momentos divertidos não é necessariamente passar um dia inteiro no parque de diversões, mas sim ser livre para pensar, viver e se envolver com atividades que despertam bons sentimentos em você. 

  • Pense rápido aí em algumas atividades que você gostaria de poder fazer para refrescar a cabeça...

Também fiz o exercício e minha resposta foi: dançar na frente do espelho, pintar com aquarela e também gosto de desenhar personagens dos livros que leio (eu não sei desenhar direito). Parecem coisas simples, mas são atividades que podem ser facilmente esquecidas se eu for me preocupar apenas em ser uma profissional excelente, adquirir mais conhecimentos técnicos da minha área ou se ficar com medo de parecer idiota perante meus amigos. 

“Será que eu vou ser levado menos a sério se eu brincar?

Depende. Você se importa? 

Se a opinião dos outros faz diferença para você, trate de trabalhar isso. Além do mais, as brincadeiras podem ser equilibradas com as coisas mais sérias. Assim como você não deve se levar a sério o tempo inteiro, não irá se divertir a todo momento. O segredo está no equilíbrio. Depois que você passar a prestar mais atenção na sua diversão, ela se apresentará nos seus momentos mais sérios em forma de ideias criativas. 

Consegue se lembrar de um embalagem que você olhou e pensou “Nossa que diferente”. Uma caixa com uma boca com dentes de chicle, por exemplo, chama mais atenção do que uma simples embalagem quadrada, não acha? Pois é! A inteligência do cara que sugeriu esse design criativo bebeu bastante na fonte da brincadeira e agora jorra ideias engraçadas – daquelas malucas, que só uma criança que só quer rir um pouco iria pensar. 

Um adulto que deixa de brincar, não deixa só de se divertir, ele também deixa de imaginar. Que triste é viver nessa realidade maluca sem poder fugir um pouquinho para o mundo da imaginação! Quem foge pouco da vida real, cria menos ainda. 

Minha proposta é que você experimente coisas que farão alguém olhar para você e falar “Ué, não teve infância não?”. E aí, você poderá responder: tive. Mas gostei tanto, que mantenho até hoje! 

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